RESÍDUOS SÓLIDOS
Introdução
A geração desses rejeitos nas industrias, têm sido cada vez maior ao longo dos tempos. E sua devolução no meio ambiente de forma inadequada, têm levado a contaminação do solo e das águas, trazendo vários prejuízos ambientais, sociais e econômicos.
O gerenciamento dos resíduos sólidos ou sua gestão constitui um conjunto de atividades técnicas, organizacionais, econômicas e administrativas, que visam soluções para os problemas na geração, tratamento e na disposição final.
As descobertas de inúmeras catástrofes ambientais que resultaram das práticas inadequadas das disposições de resíduos do passado têm aumentado o conhecimento e a preocupação do público sobre a questão. Nos últimos anos, esta preocupação têm se manifestado com a promulgação de uma série de legislações (federais, estaduais e municipais), de escopos e impactos sem precedentes no campo do gerenciamento, limpeza, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos. No nível federal, cobrindo "do berço á lápide", que é tradução literal da expressão americana "cradle to grave" que, no caso, quer dizer: da geração do resíduo até sua disposição final.
A definição de resíduos sólidos de acordo com a legislação vigente: Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.
Os resíduos sólidos são classificados segundo a norma ABNT 10004, segundo esta norma os resíduos sólidos industriais são classificados em três categorias, sendo :
- Resíduos classe I - Perigosos
- Resíduos classe II – Não perigosos;
- Resíduos classe II A – Não inertes.
- Resíduos classe II B – Inertes.
Esta classificação deve sempre ser feita por empresas especializadas.
Tratamento e Disposição Final para Resíduos Sólidos industriais
A disposição indiscriminada de resíduos no solo pode causar poluição do ar, pela exalação de odores, fumaça, gases tóxicos ou material particulado, poluição das águas superficiais pelo escoamento de líquidos percolados ou carreamento de resíduos pela ação das águas de chuva e poluição do solo e das águas subterrâneas pela infiltração de líquidos percolados .
Estes problemas podem ser eliminados em um aterro pela adoção das seguintes medidas de proteção ambiental :
- Localização adequada;
- Elaboração de projeto criterioso;
- Implantação de infra-estrutura de apoio;
- Implantação de obras de controle da poluição;
- Adoção de regras operacionais específicas .
Para os resíduos sólidos industriais existem os aterros próprios, que são geralmente classificados como aterro classe I, aterro classe II A ou aterro classe II B.
Apresentam-se como a forma de destinação de resíduos de baixo custo e de tecnologia mais conhecida. Entretanto, deve-se sempre ter em mente que esses aterros não servem para disposição de todos os tipos de resíduos.
Os resíduos cujos poluentes neles contidos podem sofrer alguma forma de atenuação no solo, seja por processos de degradação, seja por processos de retenção (filtração, adsorsão, troca iônica, etc.) são passíveis de disposição em aterros .
Na fermentação a matéria orgânica fica estabilizada e na maturação a matéria orgânica alcança ha umidificação.
Os processos de compostagem são classificados quanto a biologia, a temperatura, o ambiente e ao processamento.
| Classificação quanto à Biologia | Definição |
|---|---|
| Aeróbio | Processo onde a fermentação ocorre na presença de ar. Neste processo existe o desprendimento de CO2 e vapor d'água, onde a temperatura é sempre elevada. |
| Anaeróbio | Processo onde a fermentação ocorre na ausência de ar. Neste processo existe o desprendimento de CH4, H2S entre outros, a temperatura nesta fase permanece baixa. |
| Misto | Processo onde a matéria passa pela fermentação aeróbia e depois existe uma redução de oxigênio desenvolvendo-se assim o processo anaeróbio. |
| Classificação quanto à Temperatura | Definição |
| Criofílico | Processo onde a temperatura atinge uma média inferior, próxima à do ambiente. |
| Mesofílico | Processo que ocorre entre 35 e 45 ºC. A temperatura nesses processos são diretamente proporcionais a quantidade de microrganismos. |
| Termofílico | Processo que ocorre em temperaturas superiores a 55 ºC, podendo alcançar até 70 ºC. É o mais indicado, pois, as altas temperaturas podem diminuir a sobrevivência de microrganismos patogênicos. |
| Classificação quanto ao Ambiente | Definição |
| Aberto | Processo onde a compostagem ocorre em pátio a céu aberto. |
| Fechado | Processo onde a compostagem ocorre em digestores, bioestabilizadores, células de fermentação , etc. |
| Classificação quanto ao Processamento | Definição |
| Estático | Processo onde o revolvimento da massa em fermentação é feita com intervalos. |
| Dinâmico | Processo onde a massa em digestão é revolvida continuamente. |
O co-processamento é uma técnica de disposição final de resíduos, que, de forma semelhante a incineração, se utiliza da temperatura para oxidar os resíduos. Algumas particularidades desta técnica reside no fato de ela não gerar cinzas, pois as mesmas ficarão agregadas no cimento e no fato de ter um tempo de detenção maior.
No forno de produção de clínquer, que é onde os resíduos são destruídos, a temperatura na entrada é da ordem de 1200 °C, sendo que na chamada zona do maçarico a temperatura chega até 2000 °C . As altas temperaturas no fornos, aliados ao tempo de detenção e a alta turbulência do interior dos equipamentos, resultam na destruição de quase toda carga orgânica, e como citado acima, as cinzas que basicamente são formadas pela parte inorgânica, ficam incorporadas ao clínquer .
Pela técnica do co-processamento são proibidos a queima de organoclorados, lixo urbano, radioativo e hospitalar.
As unidades de incineração variam desde instalações pequenas, projetadas e dimensionadas para um resíduo específico, até grandes instalações de propósitos múltiplos, para incinerar resíduos de diferentes fontes. No caso de materiais tóxicos e perigosos, estas instalações requerem equipamentos adicionais de controle de poluição do ar, com consequente demanda de maiores investimentos.
As principais características dos resíduos que apresentam maior potencial para o processo de incineração são :
- Resíduos orgânicos constituídos basicamente de carbono, hidrogênio e/ou oxigênio;
- Resíduos que contêm carbono, hidrogênio, cloro com teor inferior a 30 % em peso e/ou oxigênio;
- Resíduos que apresentam seu poder calorífico inferior (PCI) maior que 4.700 Kcal/Kg (não necessitando de combustível auxiliar para queima).
Esta é a base da reciclagem. Estudos mostram a importância da gestão do lixo urbano e a redução do impacto ambiental em todas as fases da produção industrial, desde a extração da matéria-prima até o seu destino pós consumo .
A produção industrial e a própria sobrevivência humana na Terra estão baseadas no desenvolvimento da forma academicamente conhecida como 3R's, sendo,Redução, Reaproveitamento e Reciclagem :
- Redução : É a introdução de novas tecnologias na exploração, transporte e armazenamento das matérias-primas para reduzir ou, se possível, eliminar o desperdício dos recursos naturais, retirados da natureza ;
- Reaproveitamento : É a reintrodução no processo produtivo, de produtos não mais apropriados para o consumo, visando a sua recuperação, e recolocação no mercado, evitando assim, o seu encaminhamento para o lixo;
- Reciclagem : É a reintrodução de um resíduo já usado, para que possa ser reelaborado gerando um novo produto.
| RESÍDUO | CARACTERÍSTICAS |
|---|---|
| Composto urbano | Para compostagem, que consiste na transformação dos resíduos sólidos orgânicos em um fertilizante, denominado composto. |
| Embalagens Cartonadas | É uma embalagem formada de várias camadas de material, papel duplex, polietileno de baixa densidade e alumínio. A embalagem cartonada ainda dispensa, por muitos meses, a refrigeração, processo atualmente apontado como maior consumidor mundial de CFC. |
| Latas de aço | As latas de aço produzidas com chapas metálicas conhecidas como folhas de flandres, tem como principais características a resistência, inviolabilidade e opacidade. São compostas por Ferro e uma pequena parte de Estanho (0,20 %) ou Cromo (0,007 %) - materiais que protegem contra a oxidação e evitam por mais de dois anos a decomposição de alimentos |
| Latas de alumínio | É usada basicamente como embalagem de bebida. Além de reduzir o lixo que vai para os aterros a reciclagem desse material proporciona significativo ganho energético . |
| Óleo Lubrificante usado | Representa cerca de 2 % dos derivados do petróleo, e é um dos poucos que não são totalmente consumidos durante o seu uso. O uso automotivo representa 70 % do consumo nacional, principalmente nos motores a diesel. Também são usados na industria em sistemas hidráulicos, motores estacionários, turbinas e ferramentas de corte . |
| Papel de escritório | É o nome genérico dado a uma variedade de material utilizado em escritório, incluindo papéis de carta, blocos de anotações, copiadora, impressora, revistas e folhetos. A qualidade é medida pelas características de suas fibras. No Brasil, o consumo de papel gira em torno de 6 milhões de toneladas por ano. |
| Papel ondulado | Também chamado como corrugado, é usado basicamente em caixas para transporte de produtos para fábricas, depósitos, escritórios e residência. Normalmente chamados de papelão embora o termo não seja tecnicamente correto . |
| PET | É um poliéster termoplástico, tem como característica a leveza, a resistência e a transparência, ideais para satisfazer a demanda do consumo doméstico de refrigerantes e de outros produtos, como artigos de limpeza e comestíveis em geral. |
| Plástico filme | É uma película plástica normalmente usada como sacolas de supermercados, sacos de lixo, embalagens de leite, lonas agrícolas e proteção de alimentos na geladeira ou microondas. O material constitui 38 % das embalagens plásticas em geral nos Estados Unidos. |
| Plástico rígido | Leve resistente e prático, o plástico rígido é o material que compõe cerca de 60 % das embalagens plásticas no Brasil. É também matéria-prima de bombonas, fibras têxteis, tubos e conexões, calçados, eletrodoméstico, além de baldes, utensílios doméstico e outros produtos . Ele pode ser reprocessados, gerando novos artefatos plástico e energia . |
| Pneus | Os pneus e câmaras da ar consomem cerca de 70 % da produção nacional de borracha e sua reciclagem é capaz de desenvolver no processo produtivo um insumo regenerado por menos da metade do custo da borracha natural ou sintética. Além disso economiza energia e poupa petróleo usado como matéria-prima virgem e até melhora as propriedades dos materiais feitos com borracha . |
| Vidro | A metade dos recipientes de vidro fabricados no País é retornável. Além disso, o material é de fácil reciclagem, pois, pode voltar a produção de novas embalagens, substituindo totalmente o produto virgem sem perda de qualidade. Para cada 10 % de caco de vidro na mistura economiza-se 2,5 % de energia necessária para a fusão nos fornos industriais . |
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